Papa Inocêncio III

Posted: 18/06/2009 in Quem foi?!?

 Afogando a Europa no sangue de inocentes cristãos evangélicos

Inocencio_III,_Subiaco

Papa de 1198 a 1216, Inocêncio foi eminente teórico da teocracia pontificial. A seu ver, o Papa era um intermediário terreno entre Deus e os reis. Deste ponto de vista decorreram seus desentendimentos com Filipe Augusto, da França. Ainda por sua iniciativa, foi empreendida a quarta cruzada – que teve como único resultado a tomada e o saque de Constantinopla (1204); a cruzada contra os albigenses, pela qual também foi responsável, trouxe muito mais benefícios aos Capeto do que à Igreja.

Dos 265 papas entronizados até o momento (incluindo João Paulo II), Inocêncio III foi o Pontífice que mais sangue derramou, ao longo da trajetória da Igreja Católica, com suas sangrentas guerras, cruzadas, conversões forçadas, inquisições e autos-de-fé, de que tivemos notícia pelos anais da História. Sua crueldade em nada ficaria a dever a genocidas como Genghis Khan, Hitler, Stálin e Pol Pot, os mais desumanos dos ditadores terrestres.

Nicola Aslan enfatiza: “Estando em guerra com vários barões e uassalos, o Conde Raimundo VL de Toulouse, recebeu a visita do legado papal. Apresentando se como mediador; o enviado do Papa anunciou que seriam feitas a reconciliação e a paz com a condição de que as tropas reunidas servissem para a destruirão dos albigenses. Porém) o Conde Raimundo VI não quis dar passagem em seus Estados para que seus inimigos matassem os seus próprios súditos”.

Villemain, em Cours de Littérature Française escreve, relativamente às conseqüências desse gesto de independência e soberania: Então o sanguinário pacificador declarou-o cistico e rebelde à Igreja) lançando-lhe a anátema) depois escreveu à corte de Roma, O Papa Inocêncio IH, por sua vez, enviou a Raimundo uma carta cheia de insultos, ameaçando-o de arrebatar-lhe os domínios “que recebem da Igreja Universal’ (a Católica, obviamente).

Estamos no período mais alto da teocracia, que pretendia estender o seu domínio sobre toda a Cristandade, não somente de jure, mas também de fato. Em 14 de janeiro de 1208 – tendo um pequeno vassalo do Conde Raimundo VI morto o legado Pedro de Castelnau, que ria véspera havia injuriado o Conde de Toulouse, porque este não se mostrava zeloso em cumprir sua promessa de exterminar os súditos heréticos -, teve inicio a Cruzada dos Albigenses.

cruzadas

Não foi somente o assassinato acidental do legado o fator que produziu esta guerra funesta“, diz Villemain. A própria heresia dos albigenses não foi a causa única. Reinava, desde há muito tempo, uma luta entre o pensamento livre e o poder da Igreja, entre a poesia e a pregação. Deste entrechoque constantemente dardejavam palavras amargas e cruéis, que feriam o poder de Roma e que pareceria um escândalo em nosso tempo. A vida desordenada do clero fornecia copiosos elementos à amargura desta censura leiga. Já há muitos anos, os próprios santos se queixavam da conduta dos padres. “Quem me dará“, dizia São Bernardo de Claraval, “ver, antes de morrer, a Igreja de Deus como era nos seus primeiros dias?”

O Papa Inocêncio III escreveu então ao clero e à nobreza da França, para ordenar uma cruzada contra os heréticos, a seguir desligando do juramento de fidelidade os súditos de Raimundo VI – mas, ao mesmo tempo, oferecendo os seus Estados a qualquer católico que os quisesse conquistar. Durante todo o ano, os emissários do Papa percorreram a França, pregando aos semibárbaros do norte a cruzada contra os heréticos do sul. Conceder­-lhes-iam, para isso, os mesmos direitos e as mesmas indulgências de que gozavam os cruzados da Terra Santa. Uma multidão de prelados e de barões pôs-se então em marcha, seguidos por vassalos, mercenários, aventureiros e bandidos de todas as nações. Tais tropas, segundo alguns historiadores, chegaram a atingir a cifra de 500.000 homens.

O exército dos cruzados reuniu-se em Lião. Para esta expedição, que foi julgada extremamente rendosa, banqueiros, usurários e ricos mercadores adiantaram capitais, como se a mesma fosse uma empresa puramente comercial. Deveriam ser reembolsados com vinho, trigo, estofos e mesmo domínios e castelos tomados aos albigenses. Isto, de certo modo, explicaria a inclemência da repressão a eles movida. No entanto os cruzados, embora tendo assumido compromissos comerciais com os agiotas, combatiam primordialmente pela pureza da Fé.

Em 21 de Julho de 1209, sob o comando de Raimundo de Toulouse que se tinha finalmente submetido, impressionado com as providências tomadas por Inocêncio III -, o exército dos cruzados faz o cerco a Beziers. Intimados por seu próprio bispo a fazer a entrega dos heréticos, os habitantes da cidade recusaram-se com energia e responderam: “Relatai ao Legado que a nossa cidade é boa e forte) que Nosso Senhor não deixará de nos trazer socorros e que) antes de nos entregarmos comeremos nossos próprios filhos”. 55 Um grupo de defensores, burgueses célebres em todo o sul pela sua energia, saiu em ataque aos aventureiros cruzados. Surpreendidos de início, os cruzados repeliram finalmente os habitantes de Beziers e penetraram na cidade. Uma parte do exército seguiu-os, dando inicio ao massacre. A cidade foi saqueada e depois incendiada, queimando durante dois dias. Ninguém escapou.

Fernand Niel, em Albigeois et Cathares, faz o seguinte comentário:

“Heréticos, católicos) mulheres e crianças) todos foram confundidos neste gigantesco· massacre) que relembrou os dias das invaes bárbaras. Os chefes católicos aplaudiram esta milagrosa vitória e cada qual exagerou o mais que pôde o número de vítimas. Foram até a cifra de 100.000, mas 30.000 parece ser uma avaliação razoável. Existe, contudo, um fato certo: o de que todos os habitantes foram mortos. Prossegue Niel: “No decorrer do massacre) coloca-se uma circunstância sobre a qual houve prolongadas dissertões. Foi perguntado ao abade de Cister, Arnaldo. Amalrico, legado do Papa) de que maneira os heréticos seriam distinguidos dos católicos) para que estes fossem poupados. Arnaldo Amalrico teria respondido: Matai-os todos, Deus reconhecerá os seus

Naturalmente esta frase foi violentamente controvertida. A maioria dos historiadores a considera apócrifa, mas os seus argumentos repousam, aqui também, sobre razões sentimentais. Reproduzida por um monge alemão, Cesário Heisterbach, que não participara da cruzada, mas a quem fora relatada, não existe nenhuma prova histórica de que não tenha sido pronunciada. Ela é, ao contrário, cruelmente confirmada pelos fatos. Qualquer que seja a autoridade dos escritores que lhe negam a autenticidade) é sem dúvida prudente ater-se à opino do beneditino Dom Vaúsette) o grande historiador da província do Languedoc) o qual, sem aceitá-Ia incondicionalmente) não a coloca completamente em dúvida

Os homens que participaram do sangrento massacre receberam do Papa Inocêncio III a certeza de que iriam direto para o Paraíso, sem escala, desviando-se do purgatório. Em Lauaur, em 1211) o governador foi enforcado e a esposa lançada dentro de um poço e esmagada com pedras. Quatrocentas pessoas nesta cidade foram queimadas vivas. Os cruzados assistiram à missa solene pela manhã e) em seguida) passaram a tomar outras cidades da área. Neste cerco) estimase que 100.000 albigenses (protestantes) caíram em um só dia. Seus corpos foram amontoados juntos e queimado! ‘. 57

Inocêncio III continuou incentivando o total extermínio de hereges, apóstatas e opositores da Igreja Romana, garantindo aos que executassem as matanças dos inimigos da Fé, o privilégio de, no Céu, sentarem-se ao lado de Jesus, da Virgem Maria e do castíssimo São José… Os católicos e outros fanáticos daqueles tempos acreditavam piamente que o Papa tivesse o poder de abrir e fechar os Portões da  Salvação, quando bem entendesse…

Jeová Mendes. Dos Porões Sombrios do Vaticano, 30 Papas que Envergonharam a História. pág 113

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